Quem será esta que pulsa nas palavras. Quebra a privacidade para se revelar. Enfim uma personagem grata pela felicidade de ser ficção. O lugar vai ser uma casa pequena para que não percamos tempo descrevendo detalhes. O quintal cheio de esconderijos, carambolas e limão galego, frangos de granja sujos de terra. A porta da rua num azul descascado.
A primeira filha nasceu anã, encorpou, mas não ganhou altura. Predestinada, vai ser a empregadinha solteira da mãe, as irmãs cresciam e as roupas iam ficando para ela. Acabava vestida como uma boneca na missa de domingo.
A caçula era carinhosa, mas Otília gostava de ser cruel com a anãzinha, orgulhava-se do mal feito. Quando engravidou, os pais casaram-na com um homem mais velho longe de casa. A caçula fez quinze anos, eram íntimas contou para a irmã sua primeira vez com um garoto, ouviu tudo com a ponta da língua entrando e saindo da boca pequena. Esperou a irmã sair e contou tudo a mãe. O pai a expulsou de casa, mais uma filha perdida, pobre seu Eloi. No dia que a caçula foi embora a anã ficou da janela escondendo o sorrisinho duende com o pano da cortina.
No hay comentarios:
Publicar un comentario