viernes, 18 de noviembre de 2011

Erich

Quando foge Erich afunda o focinho no meio do lixo, nas porcarias e sobras de todas as famílias da rua, e volta glorioso, sujo de pó de café e restos de comida. As duas meninas lavam suas manchas negras de pelo sedoso. Sua casinha de papelão não resistiu a chuva, acomodou-se na varanda do lado da máquina de lavar. Desde que as duas ganharam um videogame que ele vive só no quintal, brinca com o cãozinho de borracha, rói seu osso de baleia.

Entrou um dia na casa por descuido de uma porta aberta, as duas na sala com os olhos na TV, de repente cai a energia, sua chance. Pulam no sofá, eles se divertem brincadeiras, saudades, mas, logo a luz retorna, ele se afasta e as duas o ignoram. Pulou da janela para a rua e nunca mais voltou, só ficou o cãozinho de borracha mordido no quintal.

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