viernes, 4 de mayo de 2007

Noite
É como socar a própria boca.
É como mastigar pedras.
É como vomitar o fígado e mastiga-lo.
É como sentir o negro ruminante rangendo os dentes feitos uma moenda de pedras.
_cadê quele fio da puta?
Enfiou a bagana de fumo por cima da orelha e foi capengando pro lado do bar. Já tava na hora dele dar uma prensa no capiau pensou, e foi ficando amuado com o cheiro de cachaça já na porta . Quando entrou teve tempo só de contornar com os olhos um canto do buraco. Já estava o leao... feito uma parede de concreto o levou para fora:
_cê sai agora que é melhor procê!
_eu num devo ninguém daí de dentro !
_tá mais vai lá pra fora que cê ta fedendo!
Ficou no canto da parede na entrada e esperou até que um corpo fosse atirado no chao de terra vermelha, era ele pensou... olhou para os dois lados da rua e foi la perto. O corpo respirava poeira... ele baixou a cabeça:
_cê bebeu minha parte tombém?! fidaputa! tirou uma gilete de dentro dos trapos, cortou um pedaço da orelha do caído e comeu resmungando subindo a rua.